Bernardo -Eremita

É feinho e tem o corpo esquisito, mas tem também um charme todo especial. Um caranguejo muito diferente, "guardado" numa concha e só com as pinças para fora. É o bernardo-eremita, paguru ou simplesmente ermitão, assim chamado porque costuma vaguear pelas praias solitárias, sempre à procura de casa ou comida.
Se ele estiver parado na areia, á beira-mar, pode ser que você não descubra o que é. Parece uma concha com uma anêmona em cima. Mas se, de repente, duas pinças fortes (quelas), saídas da areia, começarem a se mover equilibrando esse conjunto esquisito, você já sabe: é o bernardo-eremita, nome tão excêntrico quanto seu visual.
Ele é bastante comum em nossas praias.Provavelmente você já viu, vagueando pelo leito do mar com a casa nas costas. Ele é um crustáceo de abdomen frágil, que não sobrevive sem uma carapaça mas também não consegue fabricá-la. Sempre se apossa da concha vazia de algum molusco (talvez devorado por um predador) mas nunca desaloja um "morador".
Se além de carregar a casa, o caranguejo-ermitão ainda leva nas costas a anêmona (actínia), é porque ela lhe traz algumas vantagens. As anêmonas, também conhecidas por urtigas-do-mar, possuem células urticantes (os cnidoblastos) cujas secreções afastam possíveis inimigos.Além dessa proteção, ainda oferece ao ermitão as sobras de suas refeições. Em troca, ele a leva por toda parte, agilizando suas caçadas. Essa parceria, vantajosa para ambos, tem um nome: é o comensalismo (um caso especial de simbiose). Muitas vezes, aparece uma terceira figura interferindo nessa dupla, a nereis.
Uma intrusa que invade a concha do ermitão, permanecendo enrodilhada dentro dela e aparecendo apenas para alimentar-se dos restos de comida dos outros dois. Sua presença, se não causa problemas, também não traz vantagem aos outros. O ermitão tolera a invasora, já que não tem como livrar-se dela, a não ser que esse verme marinho desista de acompanhá-la no momento mais difícil de sua vida: a troca de concha.

TROCA DE CONCHA

O bernardo-eremita vai crescendo, seu corpo se espremendo na concha, até que um dia ele é forçado a sair em busca de outra. Nas suas andanças, ele procura uma nova morada maior mas não muito pesada. Quando a encontra, ainda precisa fazer malabarismos para deixar a concha antiga e entrar na nova. Desajeitado, geralmente deita-se de costas introduzindo o abdômen em forma de espiral (voltado para a direita,na maioria das vezes) no novo abrigo. Ele não esquece sua amiga anêmona retirando-a com suas pinças da concha antiga e colocando-a sobre a nova.
Se você se sentiu atraido por esse interessante caranguejo, mantenha-o num aquário marinho apenas com exemplares da mesma espécie, porque eles podem devorar os peixes. Apesar de fáceis no trato, eles apresentam alguns incovenientes. Costumam desarrumar o aquário, tirando do lugar até mesmo peças grandes de coral.E o pior: têm o hábito de escavar a areia, expondo o filtro biológico, o que diminui sua eficiência.
Num aquário pequeno, de 15 litros e com pH de 8,3, você poderá criar alguns exemplares, em meio a muitas pedras e grutas. Não esqueça de colocar também algumas actínias: a nereis, sim, você pode esquecer. Ninguém precisa de parasitas, muito menos o simpático ermitão.

OBS.:
Se sua concha está danificada, o ermitão procura uma outra, de tamanho apropriado e em bom estado.
Achada uma nova moradia, em segundos ele faz a mudança.
Se ele não tivesse se adaptado à concha, voltaria ao antigo "lar".


CONSIDERAÇÕES GERAIS.

-Há cerca de 15 espécies de bernardo-eremita só no Brasil.
-A pinça maior fecha toda a passagem, sendo que é possível encontrar uma anêmona alojada nessa pinça.
-O abdômem da lagosta é protegido por esqueleto externo e o do caranguejo, além disso, fica dobrado e protegido na parte ventral, o do paguro não tem proteção, sendo muito vulnerável.
-O anelídeo Nereis fucata só sai da concha (e mesmo assim, parcialmente) para comer os restos de alimentos deixados pelo ermitão.
-As pinças e as patas dianteiras servem para a locomoção, enquanto as patas inferiores ficam agarradas à concha e o abdômem fica enrolado em seu eixo, se tentarmos tirar o paguro daí à força, ele morrerá com o corpo partido.
-Sua alimentação é simples e ele come de tudo, desde carne ( em quantidades moderadas) até vegetais.
-A urtiga-do-mar, com seu colorido que vai do rosa ao roxo passando pelo lilás, também é um bom disfarce para o ermitão. Ele passa desapercebido tanto por seus predadores quanto pelas prováveis presas.

AUTOTOMIA

Como muitos caranguejos, o bernardo-eremita pode fazer autotomia, ou seja, ele é capaz de liberar uma parte de suas patas, caso elas fiquem presas, para poder fugir. Assim, se um predador aprisionar uma de suas pinças (quelas), ele a soltará sem problemas. Esse membro mais tarde, será reposto. É a natureza socorrendo a vida animal com a regeneração.



Fonte:Livro "Vida no Aquário-Vol I"
Editora Três

 

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